sexta-feira, 24 de abril de 2015

O fone de ouvido

Escrevi essa creepypasta com 14 anos, na época era meu maior vício @.@ Encontrei ela hoje no meu antigo e blog e resolvi dividi-la com vocês, haha.


Foi no inverno de 2007, eu, no auge dos meus 17 anos era um jovem bastante comum.
Morava no interior do Japão, e estava terminando o colegial.
Acontece que um dia toda minha vida mudou.
Eu caminhava vagarosamente voltando da escola, era fim da tarde e as luzes da rua iam aos poucos se acendendo.
Pensava no quão tediosa era minha vida, e que nada me esperava em casa, a não ser é claro os gritos entre meus pais.
Foi quando algo me chamou atenção em uma das várias lojinhas pelo caminho. Era a mais afastada entre elas, e eu nunca havia me dado conta de sua existência. O que era estranho já que eu caminhava por ali diariamente e não me lembrava de ter visto nenhuma construção ou mudança.
De qualquer forma fui em direção a loja e entrei, o pequeno sino sobre a porta tocou e uma garota aparentemente jovem veio me atender.


Ela me falou que seu nome era Shioko e que acabara de se mudar para o bairro, disse que seus pais eram donos da loja de conveniência e que haviam ido ao mercado, mas que eu podia ficar a vontade para comprar.
Lógico que eu me interessei mais por ela do que pela lojinha, sinto dizer, medíocre de seus pais. Então já que passei horas conversando com a garota resolvi pegar qualquer coisa e comprar.
Maldita hora em que peguei um pequeno fone de ouvido prata, escondido sob vários objetos de segunda mão.
Custou-me pouco, o que eu não sabia é que na verdade sairia bem mais caro...
Fui pra casa, e abri o pequeno pacote, era um daqueles fones descartáveis que não precisam de aparelho, as musicas eram passadas direto do computador.
Joguei-o na cama, provavelmente ele estava vazio, e eu estava muito cansado para passar algo a ele. Resolvi ir dormir, havia ficado tanto tempo com a garota que quando cheguei em casa já era tarde da noite. Pergunto-me se os pais dela haviam ido ao mercado de outro país...
Cai num sono profundo em alguns minutos, lembro-me que aquela noite tive um terrível pesadelo, um pesadelo muito confuso e embaçado. Mas tenho a certeza de que vi a menina da loja em uma cena que nunca havia visto nem nos piores filmes de terror: Ela estava presa de cabeça para baixo na parede do que me parecia ser uma torre, havia mais de três pregos enormes em cada um dos pés. E o sangue escorria pelo resto do corpo. Seus longos cabelos voavam no vento e ela parecia estar num sono profundo. O vestido branco, o mesmo de quando a havia conhecido, caia sobre ela, dando-me a vista de toda a parte baixa. Talvez por estar embaçado eu não houvesse percebido a mutilação em seu corpo, estava cortada ao meio! Não por completo, mas era visível que fora serrada até a altura de seu umbigo. Uma ânsia de vômito tomou conta de mim.  
Acordei completamente suado, e mal tive tempo de correr até o banheiro o vômito explodiu pela minha garganta. Eu podia jurar que sentia o odor do sangue.
Não fui à escola esse dia, passei todo o tempo tentando me livrar daquela imagem da garota que invadia constantemente meu cérebro.
Foi quando algo me chamou atenção, uma musica suave ecoava por todo meu quarto, eu estava tão atordoado com o pesadelo que levei tempo para lembrar do fone de ouvido que havia comprado.
Mas por que diabos ele estava tocando sozinho? Observei-o, totalmente sem reação, enquanto a musica se estendia por minutos.
Minutos que me pareceram horas, quando finalmente tive coragem e peguei-o.
Uma voz embaralhou todos meus sentidos, gritos e sussurros ao fundo que eu não podia distinguir brigavam entre si
"Me liberte" "Não consigo entender" ou "O que aconteceu?" A voz mais forte entrou em minha mente, pude sentir uma brisa gelada me tocar, e foi quando a voz gritou algo como "Alma 3489" e tudo escureceu.

Chaves de Clarisse

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